Boa tarde!
Aqui começa a minha nova vida de Blogger do Benfica!
E começo por me apresentar e por apresentar o espaço.
Sou o Pedro, tenho 25 anos (o mesmo tempo tenho de sócio), pouco tempo para ver os melhores anos do nosso Benfica mas o suficiente para ganhar um amor absolutamente incondicional pelo clube. Se há coisa que nunca há-de mudar na minha vida é ser Benfiquista.
Nestes anos, muitas, boas e gratas recordações: nunca fui presença assídua na Catedral ora por viver longe ora porque me sinto sempre assustado pelo preço dos bilhetes. Lembro-me, no entanto, de grandes noites na antiga Catedral, local que sempre considerei sagrado, tal como o manto, e fui absolutamente contra a sua demolição. Lembro-me como se fosse hoje de um jogo contra o Estoril. O nosso treinador era o grande Toni, seriamos campeões no final da época. Empatamos 1-1. Ao intervalo estava 0-1. Lembro-me de grandes jogos contra o Sporting e Porto, esses costumava ir. Lembro-me também de alguns encontros da Liga dos Campeões, como um 2-2 contra o HJK Helsínquia. Lembro-me de jogadores que se tornaram autênticos ídolos e assim se mantiveram até hoje. De trás para a frente... Neno, Preud'homme, Veloso, Hélder, Ricardo, Mozer, Dimas, Paulo Bento, Schwarz, Rui Costa, João Pinto, Valdo, Paneira, Kulkov, Yuran, Isaías... tantas saudades desta gente!
Não só do futebol vive o meu Benfiquismo. Acompanho com alguma regularidade o Hóquei em Patins... estive no velhinho Pavilhão da Luz numa das noites mais mágicas do Hóquei do Benfica. Aquela finalíssima da "António Livramento" em que o Panchito (saudade...) decidiu fazer o que queria dos azuis... e ganhamos 12-4...
Mas também me lembro de tempos mais recentes - por exemplo a inauguração do novo Estádio. Que, assim que lá entrei, deixei de ser contra a demolição do antigo e morri de amores pelo novo. Morrer de amores é pouco. Quem estava comigo que o diga - o choro, aqueles 20 minutos de emoção em que não conseguia dizer nada mais do que... ISTO É LINDO... É LINDO!!! Da companhia também não esquecerei. O pai, o irmão e o meu querido avô que viria a deixar-nos passado pouco mais de um ano da inauguração do Estádio. Já não viu o Benfica regressar aos títulos. E para ele vai uma gigante homenagem e um enorme agradecimento. Foi com ele que, até à data da sua partida, fui sempre à Luz. Foi ele que me levou à inauguração do novo recinto. Foi ele um dos grandes responsáveis pelo meu Benfiquismo. É dele que me lembro SEMPRE, a TODA A HORA, quando estou sentado no Estádio.
Nas últimas duas décadas, é certo, o Benfica nem sempre esteve à sua altura. E falando de treinadores, tivemos alguns erros de casting. Casos de Souness, Heynckes, a segunda passagem de Toni, Jesualdo e mais recentemente, Quique. Passaram sem me deixar saudades apesar de, enquanto treinadores do Benfica, tiveram sempre o meu apoio. Que tudo lhes corresse bem. Outros deixaram essa saudade. Porque mereceram o posto onde estiveram. Autuori, chegou ao clube numa altura em que quem caísse cá, acabava por não ter sucesso (o mesmo terá acontecido com Souness e Heynckes) mas foi um treinador com quem simpatizei. Camacho, é para mim o treinador que meteu ordem na casa. Organizou e estruturou o futebol do Benfica num trabalho que ainda hoje dá frutos. Claro, Geovanni Trapattoni... um senhor do futebol que passou pelo nosso clube com um futebol pouco normal para nós, que gostamos do da bola jogada com alegria, com ataque, com genica. Trapattoni tirou-nos isso. Deu-nos um futebol lento, sem chama, defensivo... mas também nos deu a alegria imensa de um título nacional... dessa noite também me lembro. Era quase obrigatório vencer no Bessa. O Estádio tinha sido tomado de assalto por uma onda vermelha. Simão marcou de penalti. Estava quase... não me posso esquecer que o Porto jogava com a Académica ao mesmo tempo. E a Académica empatou perto do fim. Eu estava de joelhos, mãos na cara, à frente da televisão, as lágrimas corriam-me interminavelmente. No apito final deitei-me. E chorei. Muito. Durante uma hora só sabia dizer: somos campeões! Finalmente via o meu Benfica novamente campeão, depois de um tão longo jejum. Lembrando esta noite, claro, correm as lágrimas de novo. Dali foram os dois irmãos até à Catedral, numa longa noite até às seis da manhã à espera dos heróis que vinham de Norte. E ali estavam eles, chamados, um a um, até ao palanque construido no meio do relvado. Naquelas longas horas de espera, a festa foi soberba. Koeman e Santos também deram o seu contributo. O primeiro com uma brilhante campanha na Liga dos Campeões, parada pelo gigante Barcelona, que viria a ganhar a prova. Foi, talvez, a primeira eliminatória onde a UEFA meteu a mão para dar o empurrãozinho que faltava ao Barça. Não esqueço uma mão que dava penalti, na Luz, contra o Barça, mas um lance igualzinho deu um penalti em Camp Nou a favor do Barça.
Actualmente senta-se no banco um senhor que, já há muito tempo dizia que era o homem certo para o lugar. Sempre simpatizei com Jesus. E Jesus trouxe ao meu Benfica aquilo que raramente tinha visto: vitórias, um futebol impressionante, vibrante e um luxo ofensivo. Com ele chegaram ou fizeram-se jogadores soberbos. David Luiz, Luisão (na minha opinião subiu, e muito, o rendimento com a chegada de Jesus), Coentrão, Garay, Witsel, Javi, Matic, Salvio, Gaitán, Cardozo (outro como Luisão), Saviola, Rodrigo, Lima, Salvio, Artur, John... ou as recentes apostas na formação com André Almeida e, principalmente, André Gomes.
A primeira época com Jesus ao leme foi o que todos sabemos. O melhor futebol dos ultimos 30 anos? Talvez. A segunda não merece comentários, foi má demais para ser verdade, começou com Roberto e culminou com a eliminação na meia final da Liga Europa. Se as coisas encarrilaram novamente na terceira época, em que perdemos por motivos extra futebol, situações mais ligadas à fruticultura do que propriamente à bola... esta época está a fazer um trabalho absolutamente excepcional. Voltamos a jogar bom futebol, a equipa está bem fisicamente, os jogadores rodam, todos rendem (até o Kardec fez uma joga ontem...) e acima de tudo, estamos quase, quase invencíveis.
E este é um resumo do que sinto em relação aos meus anos de amor ao clube...
Quanto ao espaço, é um blog onde quero fazer análises momento a momento do Glorioso... terei a colaboração do meu irmão que também irá escrever com a regularidade que achar conveniente. Temos opiniões por vezes divergentes mas que, divulgadas, são válidas para as pessoas do clube, desde o Presidente ao adepto, as usarem em prol do Sport Lisboa e Benfica.
Uma última palavra, na esperança de um dia este ser um blog lido por um universo alargado de pessoas, vai na direcção do Presidente. É certo que 2 títulos em todos estes anos é pouco. Mas o que é certo é que Vieira devolveu, ou ajudou a devolver ao Benfica um estatuto, um prestígio, um lugar. Sinto que um agradecimento e reconhecimento é devido.